É verdade que as startups estão ganhando espaços notáveis em meio ao mercado até então dominado pelos tubarões multinacionais em diversos segmentos, ainda que em meio à commodities. Mas o que é fazem essas pequenas empresas se tornarem escolhas fiéis dos chamados consumidores 4.0? Bem, outro dia fui a uma palestra cujo tema era Inovação Tecnológica e muito se falou do Intraempreendedorismo como uma nova cultura capaz de transformar e desafiar o modus operandi das empresas que ainda optam pelo modelo tradicional de gestão.

Certo, primeiramente a inovação tecnológica não deve ser um alvo a ser buscado, ela deve ser um hábito que, como todo hábito, faz parte de uma rotina. Inovação é hoje o que realmente destaca uma empresa da outra.

Para Pinchot (2004, p. 20) “a inovação rápida e econômica é o principal tipo de vantagem competitiva permanente do século XXI. Outros tipos de vantagem competitiva são apenas temporários” ou seja, ela tem que ser capaz de ser executada ao estalar de dedos.

E é aqui que ao meu ver, separam-se as empresas de propósito e longevidade, das empresas que não abrem mão de engessar o processo decisório sobre como e quando inovar e por isso pensam ser inovadoras, mas não são. Por conta da demora na implementação de uma idéia, muitas acabam somente realizando um upgrade de uma commodity.

A inovação vem na mochila de um colaborador com visão de dono, ou melhor, com talento e desejo profundo de mudar um status quo, de unir um propósito pessoal a um propósito em comum com mais pessoas, de ver o seu trabalho germinar e dar frutos. Assim nasce o intraempreendedor dentro da organização, como ouço por aí: o empreendedor que não tem dinheiro para investir, mas tem excelentes idéias pra vender. É claro que incentivar a cultura do intraempreendedorismo envolver risco, mas segundo Roberta Manfron de Paula Flávia Larissa Bandeira Guedes de Almeida (2015), “as organizações precisam encontrar a capacidade criativa e inovadora das pessoas o que é conseguido com sucesso através do desenvolvimento do intraempreendedorismo. ” Ou seja, o intraempreendor é alguém que carrega a mochila da inovação para dentro da organização.

Para Pinchot (1985) o intraempreendedorismo não é somente uma foram de se aumentar o nível de inovação e produtividade das organizações, embora o faça. Ele é uma forma de se organizar as empresas para que o trabalho volte a ser uma expressão da contribuição da pessoa à sociedade. Logo, o intraempreendedor representa aquele que dentro da organização assume a responsabilidade de promover a inovação de qualquer tipo, a qualquer momento, em qualquer lugar da empresa. (HASHIMOTO, 2006). O intraempreendedor é o colaborador que possui habilidades para atuar em qualquer setor da empresa, onde quer que tenha proposto um novo projeto, uma missão justamente por sua interação com os objetivos propostos e a identificação de novas oportunidades que possam beneficiar a empresa. Ele vislumbra oportunidades inovadoras e as implementa dentro das organizações. Mas oque leva uma pessoa a sentir-se parte do negócio realmente e agir em prol de de mais pessoas? Eu diria que é quase que é um propósito individual bem definido, bem posicionado e fortemente ligado às habilidades de liderança autêntica.

Farrel (1993, apud HASHIMOTO, 2006) sugere que o calor da necessidade, a crise e a urgência, a cultura da excelência e a liberdade para a ação, são situações que despertam a ação dos intraempreendedores. Quando se fala em calor da necessidade, entende-se que a necessidade é o que mobiliza as pessoas a inventar, mudar, melhorar e empreender. As organizações inovadoras conseguem transmitir esse calor a todos os níveis da organização. A crise e a urgência são as geradoras da necessidade.

O senso de urgência faz com que as coisas aconteçam, eis a oportunidade para os intraempreendores levarem a organização a novos rumos, diante de momentos de crise.

Logo, o intraempreendedor está para o líder, assim como o líder está para a organização. Mas não se pode dizer que intraempreendedores existem em todas as organizações, pois aquelas cujo processo decisório capaz de pivotar o rumo da organização é dotado de regras, muitos procedimentos e ciclos de aprovações demorados enfim, geralmente frustram a capacidade empreendedora deste talento.

No artigo da AIESEC, é possível reconhecer o perfil de um Intraempreendedor como:

“Análise estratégica

Os intraempreendedores estão sempre pensando no futuro, sem aguardar mudanças, mas sempre procurando se antecipar a elas. Conhecimento é como oxigênio para eles e apresentam uma alta capacidade de fazer análise de cenários.

Greenhousing

Os intraempreendedores estão sempre cuidando de uma ideia por vários dias até que tenham mais argumentos e sejam “atacados” pelos adversários. Após amadurecer a ideia, eles avançam em seu desenvolvimento.

Pensamento visual

Uma verdadeira combinação de mind mapping, design thinking e brainstormin. Só após um ótimo insight é que o profissional parte para a visualização das soluções presentes em suas mentes, sempre procurando honrar a fase da descoberta.

A solução raramente vem sem um problema correlato, de modo impulsivo. Isso contribui significativamente para a facilidade de mostrar novas ideias de maneira convincente e consistente.

Pivotagem

Abertura para alterar a direção estratégica atual da empresa é muito mais aceitável para esses profissionais, por mais que seja bem assustador para os negócios mais maduros.

Autenticidade e Integridade

Os atributos de humildade e de confiança são muito presentes e não o comportamento inconformista geralmente associado a inovadores. Todos, porém, exalam um senso de propósito e uma alta autoconsciência.

Estamos, então, falando sobre profissionais plenamente adaptados às suas empresas e com vontade, ambiente propício e capacidade para oferecer contribuições diferenciadas para sua ampliação e crescimento de competitividade.”

Em suma, podemos dizer que um Intraempreendedor é um funcionário com real sentimento de dono e por isso ele arrisca dentro dos seus limites, mas não mede esforços para buscar trazer o diferencial para a empresa a qual ele serve.

Em momento de crise é que devemos refletir sobre a implementação desta cultura, e difundi-la ainda mais entre os colaboradores que estão prontos para se tornarem linha de frente e encontrar oportunidades onde muitos ainda não estão. Inovação acompanhada de uma boa dose de Accountability, seguramente é chave para o sucesso das organizações que querem se manter não só sustentáveis no longo prazo como também na liderança do seu segmento.

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